O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) ofereceu denúncia contra 44 pessoas investigadas por suposto envolvimento com organização criminosa e associação para o tráfico de drogas. A medida é resultado da Operação Colapso, deflagrada em 24 de agosto de 2026 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com o MPAC, a investigação identificou possíveis integrantes de uma estrutura criminosa, as funções atribuídas a eles e locais usados para a comercialização de entorpecentes em Rio Branco, capital do Acre. A denúncia representa uma etapa do processo judicial e não significa condenação definitiva dos denunciados, que ainda responderão às acusações apresentadas pelo órgão.
Investigação começou com análise de celulares
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Estado do Acre, a apuração teve origem na análise de aparelhos celulares apreendidos em ações anteriores. A partir dos dados extraídos dos dispositivos, os investigadores teriam reunido informações sobre a organização, seus integrantes e a forma de funcionamento das atividades relacionadas ao tráfico.
O material analisado também teria permitido localizar referências a 297 pontos de comercialização de drogas em Rio Branco. Conforme o MPAC, os registros indicavam possíveis responsáveis pelos locais e valores de mensalidades atribuídas aos pontos. Esses elementos foram incorporados à investigação que resultou na denúncia apresentada contra 44 pessoas.
A apuração buscou reconstruir a estrutura e a divisão de tarefas atribuídas aos investigados. Como se trata de informações produzidas no curso de uma investigação e levadas ao processo por meio da denúncia, as acusações ainda deverão ser examinadas pelo Judiciário, respeitando-se o direito de defesa e o princípio da presunção de inocência.
Operação cumpriu 75 mandados no Acre e em Goiás
A fase ostensiva da Operação Colapso foi realizada em 24 de agosto de 2026, com o cumprimento de 75 mandados judiciais no Acre e em Goiânia, em Goiás. Foram 44 mandados de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão, segundo a informação divulgada pelo MPAC.
Entre os alvos da operação estavam pessoas que já se encontravam custodiadas no sistema prisional. A medida alcançou, portanto, suspeitos que, segundo a investigação, poderiam continuar relacionados à estrutura criminosa mesmo durante o período de prisão. Os mandados foram cumpridos em municípios do Acre e também na capital de Goiás, indicando a existência de conexões investigadas entre os dois estados.
Durante as diligências, foram apreendidos aproximadamente R$ 15 mil, além de drogas, munições e um veículo. O material recolhido passou a integrar os elementos reunidos pelas autoridades na apuração sobre a suposta organização criminosa e a associação para o tráfico.
Denúncia amplia desdobramentos da investigação
O oferecimento da denúncia foi informado pelo MPAC em 10 de setembro de 2026, algumas semanas após a deflagração da operação. A sequência mostra a evolução do caso desde o cumprimento das ordens judiciais até a formalização das acusações perante a Justiça.
Na denúncia, o Gaeco atribui aos investigados possível participação em uma organização criminosa e em atividades de associação para o tráfico de drogas. A apuração considera tanto os dados obtidos em celulares apreendidos anteriormente quanto as informações sobre os pontos de venda identificados em Rio Branco.
Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar a acusação apresentada pelo Ministério Público e os elementos que a acompanham. Os denunciados poderão exercer o direito de defesa ao longo do processo, e eventual responsabilização criminal dependerá de decisão judicial definitiva.
O que já foi divulgado sobre a Operação Colapso
A operação teve como principais resultados divulgados o cumprimento de 75 mandados, sendo 44 de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão, em localidades do Acre e de Goiânia. Também foram informadas apreensões de dinheiro, drogas, munições e um veículo.
O MPAC afirma ainda que a análise de aparelhos celulares ajudou a mapear a suposta estrutura investigada e a identificar 297 pontos de comercialização de entorpecentes em Rio Branco. Com a denúncia contra 44 pessoas, o caso passa a ser analisado no âmbito judicial, sem que isso represente, neste momento, uma condenação dos acusados.



