Um tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia foi preso preventivamente nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, durante a terceira fase da Operação Terra Justa. A ação ocorreu em Santa Maria da Vitória, no oeste do estado, e investiga a suposta ligação do oficial com uma milícia armada que atuava na região de Correntina.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, o policial foi denunciado pelo Ministério Público da Bahia por corrupção passiva militar. A acusação sustenta que ele teria recebido aproximadamente R$ 286 mil de um sargento da reserva condenado por liderar o grupo armado.
A prisão é resultado de uma investigação que ainda está em andamento. Por isso, as informações divulgadas até o momento descrevem suspeitas e acusações apresentadas pelo Ministério Público, sem representar uma condenação definitiva do tenente-coronel. A responsabilidade criminal deverá ser analisada pela Justiça ao longo do processo.
Pagamentos teriam ocorrido de forma recorrente
Segundo a apuração apresentada pelas autoridades, os repasses ao oficial não teriam sido feitos de maneira isolada. A maior parte dos pagamentos teria alcançado R$ 15 mil por mês, além do custeio de despesas pessoais atribuídas ao policial militar.
Para o Ministério Público, os valores tinham como finalidade fazer com que o tenente-coronel deixasse de combater as atividades do grupo criminoso. A suspeita é que a relação financeira tenha criado condições para a continuidade da atuação da milícia em uma área marcada por disputas relacionadas à posse e à ocupação de terras.
Além da prisão preventiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao oficial. A medida busca reunir elementos que possam esclarecer a origem dos pagamentos, a eventual participação do policial na estrutura do grupo e outras circunstâncias investigadas na operação.
Milícia seria usada em conflitos por terras
As investigações indicam que a organização armada atuava havia mais de dez anos na região de Correntina. Conforme a informação oficial divulgada pela SSP da Bahia, o grupo seria contratado por grileiros para ameaçar e expulsar comunidades tradicionais de suas terras.
A apuração também aponta que o tenente-coronel teria contribuído para a organização das escalas de vigilantes armados. Essa possível interferência, segundo a acusação, teria favorecido a permanência das atividades da milícia e reduzido a capacidade de reação das forças de segurança contra o grupo.
O caso envolve, portanto, duas frentes de investigação: a suspeita de recebimento de vantagem indevida por um agente público e a possível colaboração institucional com uma organização armada envolvida em conflitos fundiários. A conexão entre esses elementos será examinada a partir das provas reunidas pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle da Polícia Militar.
Operação reúne órgãos de investigação e controle
A terceira fase da Operação Terra Justa conta com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público da Bahia, da Promotoria de Justiça Militar, da Força Correicional Especial Integrada e da Corregedoria da Polícia Militar.
A presença de estruturas de investigação criminal e de controle interno da corporação reflete a natureza do caso, que envolve suspeitas contra um oficial da própria Polícia Militar. A atuação conjunta busca apurar tanto os possíveis crimes atribuídos ao tenente-coronel quanto as circunstâncias que teriam permitido a continuidade da milícia no oeste baiano.
Até a divulgação da informação oficial, a SSP da Bahia havia informado a prisão preventiva e o cumprimento das buscas, mas não apresentou detalhes sobre eventual audiência de custódia ou sobre outras decisões judiciais relacionadas ao caso. Também não foram divulgadas, na fonte consultada, informações adicionais sobre a manifestação da defesa.
A investigação deverá esclarecer se os pagamentos e o suposto apoio operacional ocorreram conforme descrito na denúncia e qual teria sido a extensão da participação do policial. Enquanto não houver decisão definitiva, o oficial permanece juridicamente protegido pela presunção de inocência.



