A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 101 pessoas durante uma operação de grande porte realizada na manhã de quarta-feira (14), contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. A ofensiva ocorreu simultaneamente no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo, com a participação de mais de 500 policiais.
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, foram cumpridos 92 mandados de prisão e 120 mandados de busca e apreensão. A ação teve apoio das polícias Civil e Militar de Santa Catarina e de São Paulo, além da Polícia Penal do Paraná e de equipes especializadas com cães de faro.
Investigação começou em Clevelândia
A apuração teve início em Clevelândia, no sudoeste do Paraná, a partir da investigação de crimes violentos atribuídos ao grupo. Entre as suspeitas analisadas pelas autoridades estão episódios de tortura e cárcere privado praticados contra pessoas que teriam sido acusadas pela própria organização de “traição”.
As informações divulgadas pela corporação indicam que a investigação avançou a partir desses crimes e alcançou outros possíveis integrantes e estruturas associadas ao grupo. Como se trata de uma apuração em andamento, as suspeitas ainda dependem da análise das provas e das decisões da Justiça no curso do processo.
Entre os presos está uma advogada de Realeza, no sudoeste paranaense, apontada pela investigação como integrante do esquema. A identificação da função atribuída a ela foi apresentada pela Polícia Civil no contexto da operação, sem que isso represente, por si só, conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.
Ação interestadual mira tráfico e patrimônio
Além da repressão aos crimes violentos e ao tráfico de drogas, a operação busca esclarecer como a organização movimentava e ocultava recursos obtidos ilegalmente. A frente financeira da investigação é voltada à suspeita de lavagem de dinheiro, com o objetivo de identificar os mecanismos usados para dar aparência legal a valores relacionados às atividades criminosas.
Segundo a PCPR, a corporação vem ampliando o uso de ferramentas de investigação financeira por meio de laboratórios especializados no combate à lavagem de dinheiro. A estratégia combina o cumprimento de ordens judiciais com a análise patrimonial e financeira, permitindo que a investigação alcance não apenas pessoas suspeitas de integrar o grupo, mas também possíveis caminhos utilizados para movimentar os recursos.
A atuação em três estados demonstra a dimensão territorial atribuída à organização investigada. O Paraná concentrou a origem da apuração, em Clevelândia, enquanto diligências também foram realizadas em Santa Catarina e São Paulo, com a participação das forças de segurança locais e de órgãos vinculados ao sistema de segurança paranaense.
Mandados foram cumpridos com apoio de diferentes forças
A mobilização de mais de 500 policiais permitiu o cumprimento simultâneo das ordens judiciais em diferentes endereços. Ao todo, foram expedidos e cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 92 mandados de prisão, enquanto o balanço divulgado pela Polícia Civil apontou 101 pessoas presas durante a ofensiva.
O emprego de equipes das polícias Civil e Militar de Santa Catarina e São Paulo, da Polícia Penal do Paraná e de cães de faro reforçou a operação conjunta. A integração entre as instituições foi necessária para executar as medidas em localidades distribuídas por três unidades da Federação e para apoiar as buscas relacionadas à investigação.
A operação reúne, portanto, três frentes principais: a apuração de crimes violentos, a investigação do tráfico de drogas e o rastreamento de recursos que podem ter sido obtidos de forma ilícita. Os resultados divulgados nesta quarta-feira correspondem à etapa ostensiva da ação, enquanto a análise das provas e dos materiais apreendidos deve contribuir para o avanço do inquérito.
A Polícia Civil do Paraná informou os dados da ofensiva em publicação oficial divulgada em 14 de outubro de 2026. A corporação não apresentou, na informação utilizada nesta reportagem, detalhes sobre os materiais eventualmente apreendidos ou a identidade dos demais presos. As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes.



