A Polícia Federal deflagrou, em 28 de setembro de 2026, a Operação Habeas Votum para investigar suspeitas de coação eleitoral, ameaça, violência sexual, abuso de autoridade e outros crimes relacionados a uma cidadã de Colinas, no Maranhão. Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, a vítima e os investigados apoiavam candidaturas diferentes nas eleições de 2026.
A apuração está sob supervisão da Justiça Eleitoral porque os fatos investigados podem ter relação com divergências político-eleitorais e com o exercício abusivo de função pública. A suspeita é de que a mulher tenha sido submetida a violência sexual e ameaças com o objetivo de interromper manifestações políticas feitas por ela nas redes sociais.
A operação foi divulgada pela PF às 8h57 do mesmo dia em que os mandados foram cumpridos. A corporação não informou a identidade da vítima, medida que preserva a segurança e a privacidade de uma pessoa envolvida em uma investigação que apura crimes graves.
Mandados e medidas cautelares
Por determinação judicial, os agentes cumpriram dois mandados de prisão temporária, três mandados de busca e apreensão domiciliar e dois mandados de busca pessoal. As diligências ocorreram no contexto da investigação conduzida em Colinas, município localizado no Maranhão.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou medidas cautelares contra dois investigados. Entre as providências estão o afastamento do exercício da função pública e a suspensão do porte de arma de fogo. As restrições foram estabelecidas durante a apuração e não representam, por si só, uma condenação definitiva.
A prisão temporária é uma medida aplicada durante a investigação, conforme decisão judicial, e tem finalidade cautelar. O cumprimento dos mandados permite a coleta de elementos que podem contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos, a participação individual dos suspeitos e a eventual existência de outros delitos.
Crimes investigados pela Polícia Federal
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, em tese, por coação eleitoral, estupro, associação criminosa armada, ameaça e abuso de autoridade, entre outros crimes que ainda podem ser identificados ao longo da apuração.
A expressão “em tese” indica que as condutas ainda estão sendo analisadas pelas autoridades competentes. A investigação deverá avaliar os elementos reunidos nas diligências e verificar se há conexão entre a violência relatada, as ameaças, as manifestações políticas nas redes sociais e a possível utilização indevida de funções públicas.
O caso também envolve a proteção do direito de participação política sem intimidação. A suspeita descrita pela PF é que a cidadã tenha sido pressionada a interromper manifestações por causa do apoio a candidaturas diferentes das defendidas pelos investigados. A confirmação das circunstâncias e das responsabilidades dependerá do avanço do procedimento e das decisões da Justiça.
Investigação ainda está em andamento
Até a divulgação da operação, a fonte oficial consultada não havia informado a identidade dos presos, o conteúdo detalhado dos materiais apreendidos ou a conclusão das análises realizadas pelos investigadores. Também não foram localizados, na apuração da pauta, comunicados públicos adicionais do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão ou do Ministério Público Eleitoral sobre a operação.
Por isso, as informações devem ser interpretadas como parte de uma investigação em curso. Os envolvidos são considerados suspeitos até eventual decisão judicial definitiva, e a atribuição de responsabilidade penal depende da produção de provas, da manifestação das partes e do julgamento pelas autoridades competentes.
A Operação Habeas Votum amplia a apuração federal sobre possíveis práticas de violência política e coação eleitoral em Colinas. Com as medidas autorizadas pela Justiça Eleitoral, a PF busca esclarecer se houve tentativa organizada de impedir manifestações políticas e se agentes públicos ou pessoas armadas foram mobilizados para intimidar a cidadã.



